sábado, 20 de outubro de 2012

Da pura indagação

De onde vem a força motora que move seus anseios?
Se sei que sou pura indagação,
Vejo que sonhos não lembrados não podem ser esquecidos,
E se por uma ironia seu pensamento divagar,
Ao retornar ao ponto inicial, suas têmporas comerão a doer
Porque metade será dor e a outra metade saudade.

Mas acontece que sonho que se vive, não gera importância.
 O comum não se faz relevante...
Até perceber que sem ele, falta tudo.

Mas como então lembrar do que não pode ser esquecido?
A todo momento...
Seja de glória ou de guerra.

Não, não sou suficiente humilde, dever-me-ia,

Minha essência caótica explode em destinos entrelaçados
E transborda sangue de tais caminhos desafortunados
Caminhos estes que me fizeram chegar até aqui.

E eu sei disso agora, como em alguns outros momentos de lucidez
E um dia é tempo demais, quem dera uma vida

Mas os únicos responsáveis por nosso destino
Somos nós mesmos

E já não sei se é por segurança, orgulho ou amor
Só sei que sou pura indagação do que sou

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A inspiração

A inspiração

Nos acomete em devaneio
Torna-se a parte inaudível e submersa
Que preenche de ar vago um escudo escondido

E terás sua obra, oriunda da inanição
Sejas enfim fruto, de consagrada ou não
Inspiração

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Indiferente do resgate

Não são os dias que se fazem bons ou ruins
Simplesmente a sabedoria de aproveitar cada momento
E as vezes os melhores momentos, nem sempre são aqueles que esperamos
As vezes é necessário estar atento ao que não se pode ver

Esperar não faz sentido mais
O futuro é escuro
Só o presente preenche e esquenta

O mais gentil de ser, é ser fiel ao tempo que resta
E quando tudo parecer difícil
Abra uma porta, e deixe que a inspiração entre

Há sempre um caminho torto para uma ideia reta
Sempre há uma opção a mais...
Que não havia sido percebida...

Dentre fagulhas e pedregulhos
Brotou a semente

Acredite

.

Running at Night

Quando o essencial foge as mãos
Fica a incongruência de relatos mal lapidados
Mas não fuja, não fuja a essência

Sereis sempre fiel ao que sinto
Fujas, mas não se esconderás por definitivo
A menos que por fim, comece novamente

À sabedoria do silêncio ensurdecedor!

Só os fortes

De perto, é o olhar mais distante
Perco me entre suas dissimulações
Não, eu não sei se... pega, pega forte

A razão não é minha,
mas talvez o meu lugar,
não seja este.

Só os fortes...
Só os fortes...

domingo, 11 de dezembro de 2011

Êxtase

De rumores à vinda de uma nova bifurcação
Sejamos a honra, a paz e a harmonia que só a nós nos cabe
Um frêmito a enaltecer a  a essência do que só você sabe
De indas e vindas, a girar, sem explicação

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio


Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.


Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.


Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouçoMas a outra metade é o que calo.


Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.


Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.


Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.


E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.


(Metade - Oswaldo Montenegro)