Como um sabiá cantante
que não tem pouso certo,
escarlate em sua ginga,
não nasceu para viver preso
em uma gaiola, ainda que limpa,
seus passos são afagos,
inesperado é a luz que consigo,
quente, forte, vibrante,
seu tamanho não faz a diferença,
ganha o mundo através de suas asas,
e quando ao ninho se encontra,
dorme e sonha,
quando acorda não se lembra,
e começa a expandir sua vivacidade,
logo o trabalho árduo o atinge,
mas isso é só uma prova se sua coragem,
porque de carinho deve ser alimentado,
ainda que bique quem lhe quer bem,
até quando o sangue não puder ser bombeado,
reza, se acalma sabiá,
um dia se chega lá,
e encontrarás o que procuras,
bem, é o que procuras,
sendo mesmo bicada, descrita anteriormente,
a mão machucada é aquela que
vai embora sem dizer uma boa noite,
e que voltará no dia seguinte,
e não encontrarás mais o sabiá,
que fugiste por cima do fio.
A mão aperta novas mãos,
mas nunca se esquecerá do sabiá
que tanto achava que amava,
pois, o coração bombeia
e o amor paralisa,
como um veneno amortecedor,
como uma janela que tilinta
ao desfile da lua
em plena avenida de Abril,
e o sabiá continua contagiando
a presença que lhe cerca
e ainda que distante, lembrado,
e ainda que presente, não notado,
sabiá pra que te quero?
Volta sabiá.
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