quinta-feira, 28 de julho de 2011

Assovio

Como um sabiá cantante
que não tem pouso certo,
escarlate em sua ginga,
não nasceu para viver preso
em uma gaiola, ainda que limpa,
seus passos são afagos,
inesperado é a luz que consigo,
quente, forte, vibrante,
seu tamanho não faz a diferença,
ganha o mundo através de suas asas,
e quando ao ninho se encontra,
dorme e sonha,
quando acorda não se lembra,
e começa a expandir sua vivacidade,
logo o trabalho árduo o atinge,
mas isso é só uma prova se sua coragem,
porque de carinho deve ser alimentado,
ainda que bique quem lhe quer bem,
até quando o sangue não puder ser bombeado,
reza, se acalma sabiá,
um dia se chega lá,
e encontrarás o que procuras,
bem, é o que procuras,
sendo mesmo bicada, descrita anteriormente,
a mão machucada é aquela que
vai embora sem dizer uma boa noite,
e que voltará no dia seguinte,
e não encontrarás mais o sabiá,
que fugiste por cima do fio.
A mão aperta novas mãos,
mas nunca se esquecerá do sabiá
que tanto achava que amava,
pois, o coração bombeia
e o amor paralisa,
como um veneno amortecedor,
como uma janela que tilinta
ao desfile da lua
em plena avenida de Abril,
e o sabiá continua contagiando
a presença que lhe cerca
e ainda que distante, lembrado,
e ainda que presente, não notado,
sabiá pra que te quero?
Volta sabiá.

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